9 de dezembro de 2010

Adote Uma Criança 2011

Há 11 anos nascia no Parque Marajoara em Botucatu – SP um dos projetos que mudaria a vida de muitas pessoas. Começou com algo simples, não para muitos, mas que fez uma enorme diferença no Natal de 2000. Era o projeto Adote Uma Criança mostrando sua cara pela primeira vez.
O que começou como uma festa para as crianças do bairro acabou crescendo e entrando nos lares de muitos outros cidadãos botucatuenses, quer seja por receber os presentes de natal ou pelo fato de abrirem seus corações e serem colaboradores do projeto quando apadrinham as crianças.
Em 2010 não poderia ser diferente, milhares de pessoas solícitas atenderam ao chamado da caridade e compartilharam, através das famosas sacolinhas, aquilo que tem de melhor em seus corações, cada doação vai possibilitar um sorriso e um Natal mais próspero a esses pequeninos que aguardam ansiosamente por essa data.
Agradecemos a todos que se disponibilizaram a dedicar seu tempo para que mais uma vez o projeto Adote Uma Criança seja um sucesso e alcance todos aqueles que precisam renovar suas esperanças em um futuro melhor.
E a você que deseja nos ajudar ainda há tempo, entre em contato com a Associação Pérola Negra e faça sua doação ela é muito importante para nós, além disso, estão todos convidados a participarem de nossa festa no dia 18 de Dezembro a partir das 09h00min na quadra de areia do Parque Marajoara.

1 de dezembro de 2010

21: BATISMO DO GRUPO CARAVELIANOS DE CAPOEIRA


21: BATISMO DO GRUPO CARAVELIANOS DE CAPOEIRA




DATA: 11 E 12 DE DEZEMBRO DE 2010
LOCAL: CENTRO COMUNITARIO JOÃO PAULO II GUARUJÁ – SP
PROGRAMAÇÃO DO DIA 11/12/2010
             CAFÉ DA MANHA NO CAEC JOÃO PAULO II AS 08h00min;
             ALMOÇO AS 11h00min;
             SAÍDA PARA GRAVAÇÃO DAS PEÇAS AS 12h00min (LOCAL DE SAIDA CAEC JOÃO PAULO II);
             INICIO DAS FILMAGENS ÀS 13h30min PRAIA DO GUAIÚBA.
PROGRAMAÇÃO DO DIA 12/12/2010
             CAFÉ DA MANHA NO CAEC JOÃO PAULO II AS 08h00min;
             ALMOÇO AS 11h00min;
             ABERTURA DO BATISMO 13h00min;
             APRESENTAÇÃO DOS MESTRES E PROFESSORES E COVIDADOS 13h30min;
             INCIO DO BATISMO 14h00min E APRESENTÇÃO DO GRUPO AFRO KUANDA E BANDA BADAUÊ.
             TÉRMINO AS 18h00min HORAS
OBS.: LEVAR COLCHÃO E COBERTOR
CONVIDADOS: MESTRES, PROFESSORES E ALUNOS DE OUTROS GRUPOS
CONTATOS: MESTRE GANCHO (13) 9771-0048/ (13) 7806-1269 ID 119*116246
ENTRADA FRANCA

30 de novembro de 2010

“O dia que o morro descer e não for carnaval”

Autores: Coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão)

“As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura. Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada. Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos: Que não são, embora sejam. Que não falam idiomas, falam dialetos. Que não praticam religiões, praticam superstições. Que não fazem arte, fazem artesanato. Que não são seres humanos, são recursos humanos. Que não têm cultura, têm folclore. Que não têm cara, têm braços. Que não têm nome, têm número. Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local. Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.” Eduardo Galeano

Enquanto anônimos ninguéns seguem chorando a perda dos seus, a mídia brasileira louva uma pacificação feita com tanques e sangues. Depois de uma eleição na qual botou as mangas de fora, o conservadorismo brasileiro agora parece não ter mais a menor vergonha em se manter fora do armário. E pudera, ele é maioria neste “consenso forjado” dia a dia pelas antenas e palavras dos de cima (e que infelizmente encontram muito eco nas famílias, escolas e igrejas dos de baixo).

Recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou que ateus e usuários de drogas são os estereótipos mais rejeitados pelo brasileiro. 35% das pessoas disse que usuários de drogas são o tipo de pessoa que menos gostam de encontrar, sendo que 17% afirmam ter “repulsa ou ódio” e 24% “antipatia” por este tipo tão perigoso de ser humano. Em mais esta etapa de décadas da fracassada “guerra às drogas”, novamente consumidores e substâncias sem vida são eleitos como responsáveis pela violência que assola nosso país, em especial uma de nossas cidades mais maravilhosas.

O país cresce, e há certa melhora visível na vida de setores mais pobres. “Um real a mais no salário, esmola de patrão cuzão milionário”, já cantavam os Racionais MC’s, fechando com chave de ouro: “Ser escravo do dinheiro é isso, fulano/ 360 dias por ano sem plano/ Se a escravidão acabar pra você/ Vai viver de quem? Vai viver de quê?”. Ao mesmo tempo em que cresce a economia e os lucros dos de cima, aumenta a repressão aos que insistem em reclamar por estarem por baixo. 500 anos e não se conformaram?

Foi exatamente quando a escravidão formalmente acabou que os negros começaram a formar estas periferias que são periferia em qualquer lugar, como ensina o rapper brasiliense Gog sampleado pelo Racionais na música citada. Sem acesso à propriedade da terra por conta da Lei de Terras elaborada para garantir os donos de escravos diante do inevitável final dessa modalidade de exploração, não restou alternativa aos recém libertos senão começarem a se amontoar nas áreas menos propícias à moradia das cidades brasileiras. De lá pra cá pouco mudou: os capitães do mato agora usam farda, os senhores de engenho comandam empresas, bancos e governos; para os de baixo, o que segue ditando seu disciplinamento é o chicote, agora made in USA.

“Hey senhor de engenho eu sei quem você é, sozinho cê num guenta, sozinho cê num entra a pé”. Sozinho eles não guentam, então para garantirem seus lucros na Copa e nas Olimpíadas mandam que seus assassinos fardados treinados no Haiti subam o morro, e “pacifiquem” a cidade. A paz pode custar quantas vidas forem necessárias. A disputa é por território e por controle social, e o tempo está passando. Quem tem mais peso no momento da decisão das políticas públicas, setores empresariais e imobiliários que já estão ganhando milhões com os mega-eventos no Brasil ou os ninguéns?

Na mesma Periferia é periferia em qualquer lugar, Edi Rock canta que “O vício tem dois lados/ Depende disso ou daquilo,então tá tudo errado/ Eu não vou ficar do lado de ninguém, por quê? Quem vende droga pra quem? Hã!/Vem pra cá de avião ou pelo porto ou cais./Não conheço pobre dono de aeroporto e mais./Fico triste por saber e ver/Que quem morre no dia a dia é igual a eu e a você”. Se o combate fosse contra “a droga” – este ente maligno que quando ilegal corrompe a sociedade e quando legal usa o corpo das mulheres para lucrar sempre mais – obviamente ele não poderia centrar-se no lado debaixo da cadeia, no comércio varejista. A imensa maioria dos lucros do tráfico está no sistema financeiro internacional, está na indústria de armas, está nos políticos e juízes corruptos. Aos varejistas e aos policiais corruptos, resta arriscar a vida para disputar as migalhas. Num país tão desigual e injusto, elas não são pouca coisa.

Tráfico de drogas existe em todo o mundo, e seguirá existindo enquanto algumas drogas forem proibidas. A demanda existe e sempre existirá, não cabe ao Estado intervir na vida privada de seus cidadãos, e eles silenciosamente resistem a isso simplesmente seguindo com o consumo que escolheram. Mas o tráfico é mais violento exatamente onde a sociedade é mais desigual, e nesse quesito podemos nos orgulhar, Brasil-il-il, no topo do ranking. Alijados até mesmo do exército de reserva que antes organizava os moradores da favela, às vezes sem chance nem mesmo no mercado informal que rege nossa economia, diante de um Estado que interage com eles somente com a polícia, estes jovens moradores dos morros e periferias há muito perceberam que isto que lhe oferecem como vida não é muito para se colocar em risco em troca de oportunidades melhores. Morre um, já tem mais cinco na fila, ou alguém já ouviu dizer de escravos trabalhando no tráfico? Em certas fazendas de deputados, sim, existe este tipo de mão de obra, mas no comércio de drogas muitas vezes há mais demanda do que postos de trabalho, e isso não pode ser resultado da loucura desses jovens.

O chamado “crime organizado” sabidamente não é tão organizado assim, sua força e organização são superestimadas pelos que necessitam de “inimigos internos” para manter a escalada de repressão seletiva. E assim como o crack é produto da proibição das drogas (fruto da repressão à cocaína e da ausência de preocupação do mercado ilegal com a qualidade do que vendem), os comandos são produto do Estado brasileiro. Nasceram das indignantes condições dos presídios brasileiros, e se espalharam para fora de seus muros pela igualmente humilhante condição de vida da população pobre e pelas constantes agressões de uma polícia assassina e racista.

A proibição das drogas criou a ilegalidade deste mercado, e consequentemente fez com que a violência fosse a instância que rege essas transações comerciais que não diferem em nada do que fazem uma padaria ou uma farmácia. A desigualdade social potencializa a violência, e potencializa também o papel coercitivo do Estado, seu lado penal. “Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco”. A violência estatal tem suas facetas mais descaradamente assassinas, como o Bope, e às vezes busca legitimar-se frente à sociedade por estratégias menos ostensivas, mesmo que ainda obviamente militares e em desacordo com os direitos humanos, como é o caso das UPP’s.

Espanta é que a opinião pública compre – e é disso que se trata, de venda de posicionamentos e preconceitos – a versão de que componentes do problema, como Bope e UPP, sejam instrumento da solução. Para coroar, o exército é chamado para finalmente implementar o que vem treinando há anos nos corpos e periferias do Haiti.

Espanta é que um governo federal de um partido que ainda se diz de esquerda (mesmo que cada vez com menos ênfase) suporte e promova este tipo de estratégias, apoiando programas como as UPP’s e a presença militar no Haiti e também governantes como o genocida Sérgio Cabral e sua trupe.

Espanta é que alguém ainda leve a sério meios de comunicação que apoiaram e cresceram com o Golpe Militar de 1964, e que de lá pra cá participaram de uma série de manipulações eleitorais e promovem diariamente preconceitos de gênero, orientação sexual e classe em seus produtos de entretenimento e informação. Sensacionalismo que mostra cenas, fatos, mas não explica por que eles existem, por que eles estão lá. Como duas facções que até pouco tempo se matavam estão juntas? Quem são os “bandidos”, os “traficantes”? Um corpo só? O maniqueísmo é a única ferramenta que eles têm para manter a dissimulação.

Espanta que depois de 40 anos de guerra às drogas made in USA, quando o mundo todo busca alternativas ao fracasso proibicionista, a guerra seja novamente propagandeada como instrumento de paz. Realmente, se ainda há razão em nossa sociedade, falta muito para que ela se desentorpeça.

28 de novembro de 2010

Novos Membros Para o Grupo de Dança Afro Kuanda e Banda Badauê

A Associação Pérola Negra de Botucatu estará abrindo inscrições para novos membros do Grupo de Dança Afro Kuanda e da Banda Badauê para 2011, fique atento e não perca essa oportunidade, os interessados deveram entrar em contato com a APNB do dia 06 ao dia 17 de Dezembro de 2010, os testes aconteceram nos dias 08 e 09 de Janeiro de 2011, serão escolhidos homens e mulheres tanto para o Grupo de Dança Afro Kuanda e Banda Badauê o resultado será publicado no dia 12 de Janeiro de 2011,  maiores informações pelos fones:  (14) 9723-5340 Maria e (14) 9629-4983 Gisele

27 de novembro de 2010

Novembro Vermelho

Finalmente o Brasil colhe os frutos de décadas de descaso por parte dos seus governantes. Em nome da segurança imediata, no intuito de causar boa impressão e demonstrar que medidas públicas estão sendo adotadas para garantir o bom andamento da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 o Governo do Rio de Janeiro e o Governo Federal não hesitaram em colocar as forças armadas mais uma vez nas favelas.

Hoje, dia 26 de novembro de 2010, nosso país tem mais um ato execrável para se orgulhar, pois dentro do pragmatismo cego de nossos políticos as medidas adotadas foram as mais coerentes, esquecem-se todos que as favelas são o fruto do abandono destes, da falta de políticas públicas desde a abolição da escravatura, da falta de um olhar mais apurado as necessidades dos seus moradores.

Não fazem a menor questão de se lembrarem que o negro pobre sem ter para onde ir acabou nos morros, subjugado por um sistema baseado no status social e na predileção racial pelo homem branco, faltou habitação, educação, emprego e, o principal, dignidade ao negro. Com o passar dos anos a favela deixou de ser habitação apenas do negro marginal, mas também se tornou o lar do branco pobre, do nordestino retirante que migrou para as capitais em busca de uma melhor qualidade de vida.

Não precisa ser um expert no assunto para prever que os fatos de hoje não tardariam em acontecer, pois todas as alternativas plausíveis nunca foram aplicadas, pelo contrário, caminhou-se com ardente paixão para uma precarização do ensino público, total desmazelo pelo SUS, ínfimo investimento em infra-estrutura e qualidade de vida, baixíssima geração de empregos. Agora o atual Governo age como um pit bull louco acreditando que exterminando os pequenos traficantes, levando o pânico aos moradores vai resolver esse problema, como se dominar as favelas fosse acabar com o abismo social que gera o crime organizado.

Do outro lado da TV os hipócritas de plantão aplaudem as atitudes tomadas, parafraseando os jornalistas sensacionalistas que dizem que bandido bom é bandido morto, esquecendo-se absolutamente que muitos desses “bandidos” nasceram principalmente da sociedade organizada, vítimas dos bandidos mor, os de colarinho branco, que mamam nas tetas do governo enchendo seus bolsos e matando muito mais gente ao não garantirem as necessidades básicas da população brasileira.

Ainda não se acabaram as celebrações do novembro negro, mas já podemos trocar o carinhoso nome desse mês para novembro vermelho, vergonhoso e esdrúxulo, ao invés de rojões, balas, ao invés de comemorar a vida, silêncio pelas mortes, ao invés de mudar a história do favelado, um drástico fim a ela. Que não nos enganemos, tudo isso não adianta. Enquanto o pobre continuar sendo tratado com descaso, essa medida paliativa e assassina apenas serve pra exterminar uma geração e permitir que uma nova venha com mais sede de sangue. Enfim, enquanto o Presidente Lula mostra ao mundo como trata o problema da falta de segurança o pobre sofre pelas mazelas desse e de outros presidentes desde a descoberta do Brasil.
Ass.: Gustavo de Paula Mineiro
Militante do Movimento Negro de Botucatu
Defensor do PNDH 3

Pérola Mix

24 de novembro de 2010

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